terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Herz
Tão estranhas as coisas do coração. Não como qualquer outra coisa indecifrável, inexplicável e indefinível. As coisas do coração são muito mais estranhas do que as coisas estranhas normalmente são.
O coração tem maneiras próprias e misteriosas de trabalhar. É cheio de manias, o danado. O coração rejeita os conformistas em cima do muro; aceita apenas os intensos, que pulam, se jogam do lado mais escuro da circulação. O coração rejeita pessoas sensatas, aquelas que escolhem o ideal e não confiam em seus batimentos; aceita somente os loucos, que estão simplesmente disponíveis no pior momento imaginável.
O coração rejeita os planos e as certezas, isso é coisa pro chato do cérebro que acha que um mais um é dois. O coração sabe que as coisas não são bem por aí. O coração rejeita o acaso sem vontade, isso é coisa pro inconseqüente do corpo que acha que tudo é festa. O coração sabe que o mais importante não é o ritmo acelerado, mas a disritmia.
O coração venera o elogio ocasional desarticulado, saído das bocas bêbadas dos verdadeiramente apaixonados. O coração se emociona com o tempo gasto em decifrações e ponderações para alimentar a bomba singular do começo, recomeço ou fim. O coração acende-se com os pequenos sinais, as minúsculas palavras que inconscientes sustentam o grito na ponta da língua e o pulo na ponta dos pés.
O coração, coitado, sofre mais que o cérebro e se diverte menos do que o corpo. Mas ele tem uma energia vinda das explosões coloridas dos sentimentos profundos que cérebro nenhum entende e corpo nenhum suporta. Poderosíssimo, ele enche as idéias de propósito e os olhares de brilho.
Tão lindas as coisas do coração. Não como qualquer outra coisa indecifrável, inexplicável e indefinível. As coisas do coração são muito mais lindas do que as coisas lindas normalmente são.
terça-feira, 27 de julho de 2010
C'est la vie
Todos dizem que gostariam que as coisas na vida fossem fáceis como nos filmes. Eu costumava pensar isso também. Não me lembro agora qual filme estava assistindo quando mudei de idéia, mas a questão é que eu mudei. Percebi que as coisas nos filmes não são fáceis. Não mesmo.
Você acha fácil perceber que sua melhor amiga é o amor da sua vida na semana que ela vai casar com um duque escocês na Escócia? Ou fazer uma desconhecida que quer que você dê o fora nela em 10 dias, amar você? Ou fazer uma mulher que tem perda de memória recente se apaixonar perdidamente por você todos os dias, pro resto da sua vida? Ou querer casar com um cara que foi jurado de morte por todo o nordeste? Ou ser louca pelo homem mais cafajeste do mundo, que ganha para desmoralizar as mulheres na TV? Ou ter um romance com uma agente americana que é casada com um nazista?
A vida dos filmes é complicada demais. Tanto quanto a vida real. Só achamos que é fácil porque as histórias acabam em duas horas. Nos próprios filmes elas duram mais, no mínimo dez dias.
O problema é que todo mundo acha que tudo dá certo demais. Em parte é verdade, os casais de todos os filmes que eu citei terminam felizes para sempre. Assim parece que é simples encontrar o amor. Mas cada pessoa desses filmes já errou feio. Traiu, foi traído, chorou, brigou e ninguém apareceu com flores e um lindo pedido de desculpas. Deu errado tantas vezes quanto nas nossas vidas, ou mais. A Julia Roberts terminou sozinha, a Cameron Diaz jurou que nunca mais iria amar de novo e a Sandra Bullock comeu brigadeiro na panela num sábado à noite.
O filme simplesmente focou no momento glamour da vida dos personagens. Se não seria muito igual à vida, não traria ilusões ou esperanças. E cá entre nós, quem assistiria a um filme horrível desses?
O que eu quero dizer é que a vida é muito mais linda que os filmes porque tem erros, tem acertos, burradas e as tais esperanças. E o momento Hollywood de cada um de nós chega um dia.
Nesse dia, depois de brigar com alguém, veremos um slide show com fotos e vídeos de como éramos felizes com esse alguém e quando a música acabar ele estará na sua porta com flores, chocolate, filme, moto, guitarra ou algo assim. E aquele friozinho na barriga, o pulo e a parada do coração, o esquecer de respirar, os fogos de artifício serão muito mais altos e gostosos do que os que sentimos no filme preferido. Porque é vida real.
E então poderemos finalmente ficar com o mocinho ou fugir com o vilão e vivermos felizes para sempre até os créditos acabarem.
E então poderemos finalmente ficar com o mocinho ou fugir com o vilão e vivermos felizes para sempre até os créditos acabarem.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Um puta dia internacional do rock!
Se eu soubesse tocar guitarra teria passado esse dia tocando. Se eu soubesse cantar teria passado esse dia cantando. Mas não sei, infelizmente, nem cantar nem tocar guitarra. Então como homenagear minha coisa mais preferida no mundo no seu dia internacional?
Fazendo o que eu sei fazer, oras. Escrever e ouvir. Ouvir é fácil, mágico e inevitável. Só que eu não sei o que escrever do rock. Mesmo. É impossível explicá-lo com palavras, riffs seriam mais completos. É tão difícil quanto explicar o sentimento. É como se as baquetas ditassem as batidas do coração e os toques graves do baixo comandassem as vibrações da mente. É como se os acordes e os gritos fossem inerentes à alma e essenciais para a sobrevivência. E digo mais, eles ditam e comandam. E são tão essenciais quanto inerentes.
Rock é pura e simplesmente rock. Pode ser punk, glam, progressivo, classic, de garagem, metal. Rock é rock. Rock é música, é arte. Rock é vida. Até o fim, baby. Até a porra do fim.
ps.: postei atrasado porque estava ocupada com sexo, drogas e... oops, tava ocupada com o Rock’n Roll. ;p
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Certinho sem causa
Tô com saudades de você. Eu sei que é besteira. Você está bem do meu lado, te vejo todos os dias. Ganho beijos e contratos. Ganho presentes e promessas. Não consigo reclamar de ter um anjo cuidando de mim. Não me permito olhar nos seus olhos e pedir para voltar atrás quando eu sei que só está aqui por mim. O problema é que eu não agüento mais fingir.
Não posso mais sorrir na sua cara se acho um saco esse seu novo eu. Eu nunca te pedi pra mudar por mim e sabe por quê? Porque eu me apaixonei por você daquele jeito. Insensível, besta, engraçado e irônico. Eu adoro seu humor negro e toda vez que eu penso numa maldade olho pra ver se você teve a mesma sacada. Mas você só fica sério. Eu tenho certeza que queria fazer uma piadinha sarcástica. Dá vontade de te chacoalhar e te mandar ir beber com seus amigos antigos.
Aqueles sim eram amigos. Que me faziam morrer de raiva por te seqüestrarem no meio da noite pra fazer uma despedida de solteiro. Você não tinha que arranjar amigos novos só porque arranjou namorada. Agora você aprendeu a ser um namorado modelo que fica em casa enquanto eu saio com as minhas amigas e amigos. Que dá presente nos dia dos namorados. Ei, eu nunca te disse que é só um artifício da mídia mundial pra nos convencer de comprar coisas desnecessárias num mês que não tem feriado?
Que reação química maluca aconteceu na sua cabeça pra achar que eu quero um marido perfeito? Eu nem quero casar lembra? A gente tinha combinado viver a lá Jack Kerouack. Não é justo você sumir assim.
Você se esqueceu de quem eu era e eu tô quase me esquecendo de você. Queria abrir uma porta pro passado. Ia me ver morrendo de vergonha de você cantando Beatles no meio da rua. Ia me ver morrendo de rir da jaqueta vermelha de couro horrível que você comprou e todo mundo achando que era por causa do Michael Jackson. Nosso ex-segredo de quatro paredes é que era James Dean. Ia ver quando tudo começou a mudar e ia parar o tempo bem lá.
Pra variar é tudo um sonho porque eu não posso voltar no tempo. Tudo vai continuar assim até eu fazer alguma coisa. Provavelmente metralhar seus amiguinhos Ken e as namoradas Barbies deles. Vou procurar saber como Aldous Huxley resolveu o probleminha dele com robôs.
Bem no fundo você não mudou. Você riu por dentro quando eu tropecei ontem. Queria beber a tequila em vez da vodka na festa passada. Quis morrer quando tocou Love Hits. E queria comprar uma planta carnívora pra mim no dia dos namorados. Eu sei que sim. A campainha tá tocando. Tomara que seja você com uma moto e um cigarro na mão me roubando pra ver estrelinhas no planetário.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Flor da Pele
"Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
(...)
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!"
Zeca Baleiro
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
(...)
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!"
Zeca Baleiro
quarta-feira, 17 de março de 2010
Amor Inventado
A blusa era transparente, o olhar incandescente. É tudo que me lembro do antes. Quando parei para pensar, se parei pra pensar, já tinha me despido e te despido completamente. De toda roupa, olhares e risos. Todo desfile de terceiras intenções. Ali, naquele momento, a alma pedia um pouco mais de corpo. Ou vice-e-versa. A vida é tão rara.
E assim, entre beijos e arranhões, carinhos e mordidas, você me possuiu. Então, o tempo passou. Passou e parou. Não quero medir a altura do tombo porque vou despencar. E não pensaria de novo, uma segunda vez, ou terceira. Cairia quantas vezes fosse preciso pra te alcançar. Tua língua em meu mamilo, água e sal. Como é que a alma entra nessa historia? Afinal, o amor é tão carnal.
Mas, quem disse que é amor? Quem estipulou essa busca desvairada por ele? Quem o obrigou a nos acompanhar? Não quero nem saber. Só quero estar em você. Quero loucamente agora. Quero, daqui a meia hora, nem me lembrar de nós.
Meu coração tão vagabundo não bate bem. A disritmia é constante e irregular. Bateu mais forte quando ouviu tua voz, sentiu teus lábios em cada ínfima parte do corpo que já pertenceu a ele. E não mais cessou em disparar.
Não creio em santos e poetas. Creio no aqui e no agora.Nesse instante, pra rir tenho todos os motivos. E a loucura finge que isso tudo é normal. Contudo deveria ser. Se a felicidade, seja como for, não é normal, o que será? Será que temos esse tempo a perder? No fundo eu não ligo. Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu. Logo, ligo pro aqui e pro agora. Você dentro de mim, com suas frases feitas, suas noites perfeitas. Porque é sempre só você que me entende do inicio ao fim. E se eu sou tantas, como pode você ser só um?
Viciei em querer. Em te querer, querer viver, amar, ter, ser. Seja a cura pro meu vicio. Vem comigo pra Babylon. É só o vento lá fora.
(bibliografia: musicas de Renato Russo, Zeca Baleiro, Lenine, e Cazuza)
quarta-feira, 10 de março de 2010
"Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.
Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.
E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes..."
Trecho de Índios - Legião Urbana
quinta-feira, 4 de março de 2010
A culpa é de alguém
“Escute aqui! Vou te dar algumas informações sobre Deus. Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense! Ele dá instintos ao homem. Ele lhe dá esse extraordinário dom, e o que faz depois? Eu juro, para a própria diversão, para a própria comédia cósmica particular, ele cria regras contrárias. É a maior piada de todas: Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula. E, enquanto você pula de um pé para outro, o que ele faz? Ele fica se mijando de tanto rir! Ele é um sacana! Ele é um sádico! Ele é um patrão ausente! Adorar isso? Nunca!”
O Advogado do Diabo
O Advogado do Diabo
Realmente né? Incrivelmente contraditório. Será que a mesma criatura que nos deu essa característica linda, o instinto, o desejo, criou restrições aos próprios presentes? Eu não acho provável. Tudo no universo funciona tão cronometricamente bem, que é difícil acreditar que o Criador tenha cometido tamanha gafe.
E não cometeu. Nós criamos as regras. Não nós, eu e você. Eu nunca faria isso. Mas sim algum Estado, em alguma época da história, querendo controlar uma população esperta, livre e crítica, catalogando o que é certo e o que é errado que disse: Olha, a segunda pessoa a habitar este vasto planeta comeu uma maçã e vocês vão arcar com esse pecado pelo resto da eternidade. Maçã? Pecado? Sério? Aí as pessoas pararam de questionar e pensar, apenas seguiram, porque é sempre o caminho mais fácil.
E cá estamos nós, eu e você, pagando pela fome de uma mulher que falava uga-uga com uma cobra e tinha como companhia só um filho da puta que nem serviu para avisar que cobras são pecadoras e maçãs venenosas.
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